LAISE

A laise é um tecido com bordados vazados “com furinhos”, e sua principal característica é sua composição por ser geralmente feita em algodão. A grande maioria possui um acabamento (Bico), que é ideal para dar acabamento e destacar os detalhes. Hoje, já encontramos algumas com composição mista, mas para o verão sempre a mais indicada é a 100% algodão, por ser um tecido leve e fresco. É um símbolo de delicadeza e romantismo.


A laise combina muito com o clima brasileiro, apesar de não ser daqui, e é comum vê-la resgatada por marcas de moda de luxo como a Valentino sob direção criativa de Pierpaolo Piccioli. Apesar dessa cara mais fashion, tem quem ainda a conecte com enxoval e peças infantis.

Mas se ela não é brasileira, de onde vem? Pois é, aí que começa a discussão. Fontes brasileiras apontam a França. A própria França chama a laise de broderie anglaise, ou seja, bordado inglês. Por aqui, se convencionou que bordado inglês é a barra ou tira de tecido de bordado vazado e com relevo, e a laise é o tecido inteiro trabalhado assim.

Lá na França, tudo é broderie anglaise. Só que a técnica não tem origem francesa nem inglesa: começou na Chéquia! Ou seja, surgiu antes do povo tcheco ser colocado num país junto com a Eslováquia e deles serem separados e virarem República Tcheca! Mais especificamente, no século 16!




Bordado inglês não é inglês?


O bordado inglês é primo de trabalhos manuais que chamamos de “renda bordada”: materiais que lembram renda tradicional, mas que são bordados abertos em tecidos cuidadosamente vazados. A renda Richelieu é um exemplo.

Mas por que o bordado inglês, que teria origem tcheca, é chamado assim? Porque a nobre inglesa que não tinha roupa de baixo com este bordado, na Era Vitoriana, não era ninguém! A técnica era tão famosa e requisitada por lá no século 19, que acabou se conectando com os ingleses pelo nome para sempre.

Como toda história tem mais de uma versão, há também quem acredite que o bordado inglês é, na verdade, o desenvolvimento de outra técnica: o bordado Ayrshire. Típico da região de Ayrshire da Escócia, o trabalho manual em musselina era chiquérrimo e bastante exportado na primeira metade do século 19. O bordado Ayrshire, às vezes é chamado de bordado inglês, colocando tudo na mesma caixa, mas ele é exclusivamente manual. O que a gente conhece como bordado inglês hoje pode ser feito à máquina graças a uma cidade suíça, e é bem mais simples em seus desenhos. Segura essa informação que a gente já volta nela!



O bordado pelo mundo

Olha que interessante: na Ilha da Madeira existe a técnica tradicional do bordado Madeira, que quando você vai ver é uma mistura de bordado inglês com bordado em relevo, geralmente para toalha de mesa. Concluindo: em cada lugar a técnica recebeu um nome e particularidades!

O Ayrshire é sempre feito em linha branca, já o da Madeira existe em um tom marrom claro. E por aí vai!

E na Itália, por exemplo, como o bordado inglês é conhecido? Surpresa: por lá ele é o pizzo sangallo. Recebeu esse nome porque St Gallen, cidade suíça, começou a produzir o bordado inglês no século 19 de maneira industrial, com maquinário inventado por Joshua Heilmann. Sim, é dessa cidade suíça que falamos anteriormente. Imagina o impacto: aqueles bordados todos, que antes precisavam ser feitos manualmente e tomavam tempo, agora saindo da máquina que nem pão quentinho!




St. Gallen se transformou na maior exportadora de tecido com esses bordados e a exportação do bordado Ayrshire consequentemente caiu, transformando-o em uma arte mais exclusiva, difícil de ver e principalmente de ter.

Um dos auges do broderie anglaise em tempos mais modernos foi no famoso vestido de casamento da atriz Brigitte Bardot, em 1959. Ao contrário das outras noivas que tradicionalmente já se casavam de branco, ela escolheu um look de xadrez vichy em algodão (o tecido conhecido como gingham) e saia armada acabando um pouco abaixo do joelho. Nos detalhes românticos, lá estava ele: o bordado inglês. Era o segundo casamento de Bardot, que já havia se casado (de branco) com o diretor de cinema Roger Vadim. Ela ficou com esse segundo marido, Jacques Charrier, até 1962.

Você gosta de laise? Estilistas nacionais, como Alexandre Herchcovitch e Cris Barros, também já usaram a técnica cheia de história em suas criações. Ela segue constantemente reimaginada e foi-se a época que era restrita à cama, mesa, banho e roupinha de bebê!

Texto: @Wakbara

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